Rio de Janeiro, mãe, filho e dezembro de 2014


Inicio hoje no blog, relatos de momentos de minhas viagens...relatos do que posso chamar de "Ser feliz" também...

Sou carioca e como uma boa carioca, amante do Rio de Janeiro. Todas as vezes que volto ao Rio procuro aproveitar os lugares legais, as pessoas bacanas, ou simplesmente olhar com curiosidade à cidade, as pessoas da e na cidade, as ruas, as mudanças, mas principalmente curtir os lugares e as paisagens lindas e deliciosas que o Rio tem, a baixo custo ou a custo zero. Assim para mim é curtir o Rio: Curtir, aproveitar ou simplesmente estar na paisagem e frequentá-la buscando a tranquilidade que o Rio também pode nos dar. 
Nesse sábado, 27 de dezembro de 2014, no Rio, eu e Luan, meu filho, saímos para caminhar na orla da Zona Sul, por volta das 17h30. O dia era de muito sol, muito calor e quanto mais tarde se sai de casa, melhor para uma bela caminhada! Eu estava muito triste nesse dia e caminhamos em silêncio pelo calçadão lotado de Copacabana. Nunca imaginei estar no meio de tanta gente e ao mesmo tempo tão isolada em meus sentimentos. Andamos, andamos, andamos em silêncio. Ele como é um cara bem legal e conhecedor de sua mãe, me deixou quieta, sem fazer nenhuma pergunta.
Chegando ao início do Arpoador, entramos pelo Parque Garota de Ipanema, por onde geralmente cortamos caminho para chegar à praia. No Parque, resolvi subir uma ladeira que ainda não a conhecia, ou não me lembrava de já ter passado antes. Ele como nunca tinha ido, se assustou de termos mudado a rota comumente usada, mas quando expliquei que a queria conhecer, ele não se recusou. É uma ladeirinha que leva a uma espécie de mirante ou uma pracinha no alto do Parque. Não foi uma muito boa escolha subir a ladeira, pois ela está com um cheiro de banheiro, um fedor, mas foi legal termos ido até o topo para conhecermos mais esse espacinho do RJ. De lá a vista, nem é tão legal, pois as árvores do Parque cresceram muito e taparam-na, mas vale a pena. O dia estava lindo! Um dia de verão daqueles...praias com o mar calmo e bem lotadas, bem lotadas. Quando descemos a ladeirinha comentei com o Luan que nem aproveitamos a semana para irmos aos lugares que gostamos tanto do Rio, como a Urca, o Jardim Botânico e o Parque Lage. 
Descemos a ladeira e seguimos em silêncio. A lotação estava muito maior em Ipanema do que em Copacabana. Incrível! Não era possível, praticamente, caminhar pelo calçadão. Resolvi seguir pela ciclovia e toda vez que vinha alguém correndo ou andando de bicicleta, eu subia a calçada. Mas, claro, não é possível seguir assim por muito tempo. Conforme avançamos em direção ao Posto 9, o calçadão ia ficando mais lotado ainda. A sensação era de que estávamos no Carnaval. Não lembrava de tanta gente na orla nesse período de festas de fim de ano. Parece que há muito mais gente no Rio nesse Revéillon.
Bem, desisti de continuar na orla e propus ao Luan irmos para a Praia Vermelha, para a Pista Claudio Coutinho, um dos nossos lugares favoritos de caminhadas no Rio. De Ipanema, pegamos uma trilha na mata e subimos até o Morro da Urca. Quando pegamos o ônibus, o Lu se ajeitou e deitou no meu ombro. Nesse momento comecei a me sentir em paz. Não foi fácil mudar a sensação, mas com o Lu dormindo no meu ombro, como se ainda fosse pequeno, com tanto carinho e a sensação de que alguém rezava por nós me acalmou....
Chegamos à Praia Vermelha e imaginamos nem conseguir entrar na Pista. Eram 19h e achamos que a Pista fechava às 18h. No entanto, ela estava aberta. Começamos a caminhada e disse ao Luan que não sabia se dessa vez queria subir o Morro da Urca. Ele não se fez de rogado e disse que também estava cansado. O Luan é um doce! Ele é uma pessoa muito companheira e amorosa. Seguimos pela pista até o final. Uns 2 Km de caminhada e lá no fim sentamos no parapeito da Pista. Ele deitou a cabeça em minha perna e ficamos um bom tempo, acho que uns 40 minutos conversando, vendo o mar bater nas pedras. Fiquei contando a ele meus papos de ontem à noite com minha amiga (ela é também amiga dele) e ficamos tergiversando sobre. Foi uma delícia! O mar batendo nas pedras é algo inenarrável...como é gostosa a sensação de ouvir o mar...Já estava totalmente calma e emanando vibrações de amor e harmonia. Tudo passou! Essa era a minha sensação: paz, tranquilidade e amor. 
Voltamos já no escuro pela pista, com um pouco de medo, mas, estávamos em área militar e imaginamos que nada nos aconteceria. Ficamos só pensando em como iríamos sair se o portão estivesse fechado. Mas, para abrilhantar ainda mais nossa caminhada, vimos um ratinho saracoteando pela pista, vimos vaga-lume, vimos a lua nascendo. De repente, passou um pescador por nós e perguntamos em como sair da Pista, caso o portão estivesse fechado. Ele nos deu a dica de passar ao lado do portão.Ah, sim, lá é cheio de pescadores. Vimos pescadores sozinhos, casais e famílias inteiras encarapitadas na pedra, ou simplesmente com cadeiras de praia sentadas no caminho. Todos pescando! Vimos também alguns escaladores na subida da Pedra da Urca. Foi bem interessante ver como há vida humana por ali à noite, mesmo sendo área militar com horários, etc. Foi bem bom nosso passeio na Pista hoje. Ao sairmos, os militares estavam quase fechando o portão. Foi incrível! Ufa. Deu um baita alívio!
Quando saímos continuamos pela praia Vermelha e vimos alguns grupos de umbanda fazendo suas oferendas e muita gente tranquila na areia da praia como se ainda fosse dia...já passava das 20h30. Fomos até uma pizzaria que adoramos no canto da praia, colocamos nosso nome na fila de espera (claro, o Rio está lotado e lá não poderia ser diferente!) e olhamos o cardápio. Mas, apesar da pizza nem ser tão cara, nos fins de semana tem show com cobrança de couvert artístico a R$ 10,00/pessoa e o Luan estava com muita fome e nem queríamos ficar tanto tempo, só queríamos comer e pronto, resolvemos ir embora. Decidimos não aguardar, resolvemos procurar outro lugar. Mais uma pernada e passando por um botequim, o Luan resolveu perguntar se tinha pizza, pediu um pedaço e comeu. Experimentei também e gostamos. Resolvemos comer por ali mesmo...um botequim com uma pizza bem simples, fresca e saborosa, além de tudo com bom preço. Uma bela pedida no RJ!
Finalmente, caminhamos até um ponto de ônibus numa rua mais movimentada de Botafogo para termos mais opções de volta para a casa de meus pais, onde estamos instalados no momento. Tudo isso foi regado a boas conversas e boas risadas. Percebemos que caminhamos desde às 17h30 e chegamos em casa às 22h30...nossa que tarde...Delícia! Agradeço a Deus pela tarde deliciosa que tive com meu filho. 
Obs: Nem tiramos fotos...as fotos ficaram em nossa mente apenas...

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