Dia de conhecer Ollantaytambo e chegar perto de Machu Picchu





05 de janeiro, meu quarto dia em Cusco...

Cusco é sempre especial!!! Todo momento é especial. Hoje o dia começou cedo, mas até sair...passo pelo menos 1 hora com o casal dono do hostal. Eles são umas graças, sempre têm dicas a dar ou coisas a perguntar...quando vemos um café da manhã que normalmente levaria no máximo 20 minutos, com eles dura 1 hora. Quando já ia saindo, lá estava o Sr. Gorki, me esperando para me levar ao ponto do carro que me levaria a Ollamtaitambo. 

No ponto de onde saem os carros para Ollamtaitambo, há vários carros que fazem o percurso. Custa 10 soles.
A saída da cidade de Cusco assusta e ao mesmo tempo me lembrou a cidade do Panamá...é igualzinho. A grande diferença do Panamá é que lá não há montanhas e aqui elas circundam todos os ambientes por onde estamos.
Quando saímos da cidade dá uma sensação de estarmos adentrando à zona rural de Teresópolis, no Rio de Janeiro. É muito parecido. A horticultura vem até a beira da estrada, com a diferença das montanhas que nos cercam. São altíssimas, mas também cultivadas...Nossa é incrível e de tirar o fôlego!


É bonito demais ver a paisagem mudando, os cultivos mudando, as cidades...nossa, parece que vamos mudando de região. Mas nada disso estamos na mesma região, muito perto de Cusco e a paisagem muda muito rápido. É incrível! 
Ah, sim, aquelas mulheres com roupas típicas que sempre estão na Plaza de Armas vendendo "artesanias" ou pedindo dinheiro se você tirar fotos delas passam a ser pessoinhas comuns na zona rural. Elas se vestem daquele jeito normalmente. 
O pessoal nessa região é muito artesão ainda, apesar do celular, da internet e da TV a cabo já terem chegado. A todo momento vemos mulheres tecendo, tricotando, fazendo algo de manual. 
Outra observação: todo o gado que vi durante a viagem é o que chamamos no Brasil de: gado crioulo e os vi sendo muito usados na tração animal. 
Bem, resumindo: a viagem para Ollantaytambo é uma VIAGEM!

No município de Chinchero, que dista em torno de 40 minutos de Cusco e há 1 hora de Ollamtaytambo, comecei a ver motonetas diferentes. Ainda não sei o nome delas, mas adorei todas. Vi de muitos tipos, cores, alegorias diferentes. Eles fantasiam até!..É demais!
Saindo um pouco de Chinchero começamos a ver casa construídas de grandes tijolos de adobe. Tudo é sem reboco, desde Cusco, então quando comecei a ver os tijolos de adobe, a visão parece melhor...mais adequadas, será?! Passa a ficar bonito! É menos agressivo aos olhos, sabe?! Ao mesmo tempo parece que está bem adaptado ao ambiente...bem interessante!

O atual povoado de Chinchero e Ollantaytambo, assim como outras cidades estão assentados sobre povoados pré-hispânicos. Chinchero está na rota que dava acesso para Machu Picchu.

De repente lembrei-me que aqui é o templo de muitas, muitas diferentes variedades de batata, milho, feijão, quinua e o que mais?! Os incas eram também conhecidos pela domesticação de espécies e pela gastronomia. Sua tradição permanece! O Peru foi considerado pela OEA como o maior Centro Gastronômico das Américas, conforme soube no Museu Histórico Regional, onde estive ontem, em Cusco. 

De repente começamos a "baixar" muito, ou seja, começamos a descer a serra. Chegamos à Urubamba. É uma cidade no fundo do Vale. Nessa cidade está Moray, um outro sítio arqueológico importante de Cusco. De repente na volta vou parar lá para vistá-lo.

Urubamba localiza-se no Vale Sagrado dos Incas e é conhecido por ser um local místico e mágico, conforme disponível no Trip Advisor.
  
Finalmente, 1h e meia depois chegamos à Ollamtaytambo. Em quechua chama-se Ullantaytanpu.
É considerada como a única cidade da era inca ainda habitada.

Os pátios mantêm sua arquitetura original. Atualmente é um povoado, capital do Distrito de Ollantaytambo (Província de Urubamba), situado na parte sul a cerca de 90 km a noroeste da cidade de Cuzco. É um dos pontos de partida do caminho a Machu Picchu.(Disponível em wikipédia)

Quando se chega já dá uma emoção diferente...a cidade é uma lindeza. Segundo os cusquenhos, os seus moradores ainda moram nas mesmas casas em que moravam os incas. 
É muito bonitinha!




Apaixonei e já procurei uma pousada para me "quedar" (ficar) quando voltasse do trem de Aguas Calientes. Soube pela mocinha que me atendeu em uma das pousadas que hoje começaria a festa de Reis na cidade que duraria até amanhã, dia de Reis. Fiquei louca quando soube e pensei que tinha que trocar minha passagem de trem para chegar mais cedo.


Andei pela cidade e olha só o que achei...outra procissão que acho que marcava o início das festividades. Diferentemente da que vi no domingo, essa era completamente típica e era liderada por andinos rurais em suas roupas típicas levando oferendas à igreja. Nas oferendas havia brinquedos, comida...muito interessante.






Adorei o cordão que enfeitava a porta da Igreja com as oferendas...tirei várias fotos....ah, sim e eles adoram fogos...toda hora estão soltando fogos...por tudo soltam fogos.

Fiquei até o início da missa que foi brindada por um grupo de crianças cantando em quéchua...muito emocionante!
Em seguida fui para a estação de trem e deixei para comer algo lá perto. Sim, há uma feira com comida de artesania e, claro, comida também. Comi a comida que os peruanos locais geralmente comem...Hoje foi dia de comer Vacio de cordero (acompanhado de arroz, papas (batatas) e vagem). Um pratão de comida! 

Depois o trem...
  As coisas na estação funcionam do jeito que eles sugerem...tem que se chegar com meia hora de antecedência...tudo certinho e muito organizado. O trem é mega chique...com janelas no teto inclusive...e serviço de bordo incluso.

 Se as mudanças para se chegar à Ollam são incríveis...para chegar à Aguas Calientes a coisa é bem diferente...de repente, você desce a serra e as montanhas crescem e crescem em torno do trem...e a vegetação muda lentamente para a Floresta Amazônica em transição...tudo isso sendo acompanhado pelo rio Urubamba...O rio está muito caudaloso...é época de chuvas é amedrontador...


 

Chegamos em Águas Calientes, duas horas depois. Se a cidade de Ollam...é linda de se ver e de se ficar...não é o mesmo que se sente em Águas Calientes...só há uma coisa muito linda...aquelas montanhas altíssimas que vemos durante a viagem, passam a estar junto a nós...ufa!
Dá um frio no coração quando chegamos aqui...parece que chegamos ao céu...a vegetação amazônica e as altas montanhas andinas em nossos pés...ufa! Que lindo!

Mas, da cidade de Aguas Calientes não gostei. Não há nada de tradicional. Há muitas lojinhas, hostal, hospedage..não há nada de construções típicas. Mas, aquelas montanhas beijando nossa testa mudam nosso horizonte a todo o tempo.







 Aqui a altitude é de 2.040 m acima do nível do mar, o que faz tudo ficar muito mais tranquilo. Além disso, estamos em altas altitudes de pura floresta amazônica. É muito interessante! Muito interessante!

Bem, não deu tempo de muita coisa, então fui às águas termais...e tomei um bom banho. Aproveitei para orar, meditar, refletir, ou o que quer que seja...que delícia!



Agora estou na Av. Pachacuteq num restaurante que se chama Ch´Aska (o dono disse que esse nome significa...uma estrela). Uma coisa que me chamou a atenção nesse restaurante é que ele tinha um televisor enorme que passava danças típicas de Cusco. 
Jantei um prato turístico (15 soles), mas que na verdade é uma comida típica deles. Uma entrada, um prato principal, uma sobremesa ou um suco. Comecei tomando uma Cusqueña com pão e picante. O picante é muito picante mesmo! Agora vou comer uma “palta à jardinera” (abacate com legumes). Muito bom!  

Algumas curiosidades que fui lembrando na viagem à Ollamtaytambo: aqui não se vê muitas peluquerias (salões de cabeleireiro) como no Brasil, a estrada por onde passei é muito boa, há poucas igrejas diferentes da católica, apesar do que a Igreja Católica fez aos Incas junto aos espanhóis. Eles são muito católicos! Ontem vi uma Igreja Maranata e hoje vi uma Igreja do Sétimo Dia. As mulheres fazem tudo com os filhos nas costas: trabalham, caminham, conversam, tudo... tudo. É incrível! E o seguinte: não há reclamação! Não há cara feia! Ô povo trabalhador! Todas as crianças trabalham...desde pequenas cuidam dos irmãos menores, depois ajudam ao pai ou à mãe...no restaurante, na feira, onde for...é muito bonitinho o tanto que eles são família! Tudo se resolve em família e com toda a família sendo responsável! Isso me fez lembrar nossos povos e comunidades tradicionais mais arraigados...

Amanhã é dia de Machu Picchu ou Machu Pikchu(em quechua). Levantarei às 6h para que às 7h esteja no ônibus que me levará a entrada do Parque.

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